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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Povo do Leão


Mais um mês chegava e o Sol brilhava com a sua intensidade máxima... O florescimento está no apogeu de sua força, e a natureza exibe a sua pujança e fertilidade... É a festa da vida em cores e intensidade dramática... Por aqui, vem chegando gente que transborda de si, que transborda o SI MESMO, um povo que vem mostrar ao mundo e a si mesmo o que é um EU que existe no mundo e se diferencia do coletivo, no sentido de ser e demonstrar a sua individualidade... Como dizia o leonino Carl Jung, um EU que se individualiza... O Homem que é o seu próprio Sol, homem e/ou mulher que se afirma no mundo, para testar o seu poder de intervenção e a sua força de irradiação do EU no mundo... Gente que vem para brilhar, e pelo brilho, re-conhecer quem É... Aqui o ser-humano É, e sendo quem é, e re-conhecendo que É, tem a consciência de SER, de ser único, diferenciado, criativo...  E de que isso nos torna a nós, seres humanos, os seres mais evoluídos e com a maior responsabilidade pelo nosso planeta... Gente que veio e deixou aqui a sua assinatura carismática, grandiosa: Alexandre Dumas; Cecil B. de Mille; Henry Ford; Mick Jaegger; Caetano Veloso; Giuseppe Garibaldi; Franz Liszt; Madonna; Fidel Castro; NapoLEÃO Bonaparte, enfim... Povo do LEÃO...

Carlos Maltz

segunda-feira, 25 de março de 2013

O Ser Atleticano


Atleticano é diferente de qualquer outro torcedor
É diferente, pois não se restringe a ser
Somente torcedor
Ser Atleticano é como casamento
Na saúde e na doença
Nas alegrias e nas tristezas
Mesmo quando a doença parece não ir
E as Tristezas teimam em permanecer
O Atleticano é capaz de
Após uma derrota humilhante
Pegar a camisa no armário
E sair às ruas
Mesmo sendo alvo de piadas
Isso por que o Atleticano não torce por um time
Torce por uma nação
E tal qual em uma guerra
Um cidadão não renega um país
Mesmo que a derrota seja grande
O Atleticano apóia seu time na derrota
Pois os obstáculos engrandecem
Seu sentimento de nacionalismo
E que me perdoem os que têm apenas títulos
Claro que são importantes
Mas o Atleticano tem algo que os outros nunca terão
Tem paixão

Tem o Clube Atlético Mineiro.


Roberto Drumond

quinta-feira, 7 de março de 2013

Liberdades

É livre quem pode fazer o que quiser - dentro das suas limitações de espaço, tempo, energia e recursos. Só se é livre dentro de certos limites. Portanto, toda liberdade é condicional.

Se é totalmente livre quem pode exercer a sua vontade sem qualquer limitação moral ou material. Isto é: o tirano . Assim, a liberdade suprema só existe nas tiranias.

Dizer que a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro é muito bonito. Mas e se a liberdade foi mal distribuída e o meu vizinho tem um latifúndio de liberdade enquanto  a minha é um quintal de liberdade, mesmo que tadinha? Não é feio sugerir um reestudo da divisão.

Cuidado com quem dá aos outros toda a liberdade. Geralmente é quem pode tirá-la.

Há os que passam o dia inteiro livres e chegam em casa se queixando disso. São os motoristas de táxi. Toda liberdade é relativa.

Toda liberdade é relativa. Verdade exemplarmente ilustrada por este diálogo entre preso e o carcereito.
- Nunca mais vou sair daqui.
- Calma. Não desanime.
- Não tem jeito. Estou aqui para sempre.
- Vou ver o que posso fazer por você.
- Não adianta. Estou condenado. Desta prisão eu não saio. Se esqueceramde mim.
- Eu não esquecerei. Voltarei para visitá-lo.
- Promete? - diz o carcereiro.

Quem é livre as vezes não sabe Quem não é livre sempre sabe. OU será o contrário? A gente vê tanta gente inexplicavelmente feliz.

Alguns são obcecados pela liberdade e prisioneiros da sua obsessão.

Os loucos são liver e vivem por isso.

Poderia se dizer que livre, livre mesmo, é quem decide de uma hora para outra que naquela noite quer jantar em Paris e pega um avião. Mas mesmo este depende de estar com o passaporte em dia e encontrar lugar na primeira classe. E nunca escapará da dura realidade de que só chegará em Paris para o almoço do dia seguinte. O planeta tem seus protocolos.

Fala-se em liberdade como se ela fosse um absoluto. Mas dizer "eu quero ser livre" é o mesmo que dizer "eu quero" e não dizer o quê. Existe Liberdade De a Liberdade Para. Não é uma questão do mundo. O liberalismo clássico iconizou o Liberdade Para. Você é livre se tem liberdade para dizer o que pensae fazer o que quer, para ir e vir exercer o seu individualismo até o fim, ou até o limite da liberdade do outro. A ideia de que a liberdade é a Liberdade De é recente. Livre de verdade é quem é livre da fome, da miséria, da injustiça, da liberdade predatória dos outros. A ideia é recente porque antes era inconcebível.

Ser livre do despotismo era automaticamente ser livre para o que quisesse, para a vida e a procura individual do paraíso. Foi preciso uma virada na pensamento humano para concluir que a Liberdade Para e a Liberdade DE não eram necessariamente a mesma liberdade e outra virada para concluir que eram antagônicas. A útlima virada é a decisão de que uma liberdade precisa morrer para que a outra viva. Não concorde com ela muito rapidademente.

Enfim, de todos os crimes que se cometem em nome da liberdade, o pior é retórica.

Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, completamente livre, é que não tem medo do ridículo.


Luis Fernando Verissimo

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

As três Flores na árvore



Três flores estavam em uma árvore. Uma delas era orgulhosa e altiva. A orgulhosa disse: “sou forte, jamais vou cair desta árvore. Serei eterna em minha beleza”. 
Uma outra flor, a influenciável, idolatrou a flor orgulhosa: “como são belas suas palavras. São palavras positivas, pena que eu não tenho sua força. Já me vejo caindo da árvore e por isto sofro enquanto você sorri”.
A terceira flor tudo ouvia e falou: “Deus, seja feita a Sua vontade, seguirei o Seu caminho e realizarei o que a mim me cabe”.
A flor orgulhosa criticou as palavras da terceira flor: “você pensa pequeno, deseje tudo que você vai conseguir”. A terceira flor disse: “desejo seguir a Deus”. E porque ela persistiu em seguir a Deus, ela entendeu muitas coisas e adquiriu sabedoria.
O tempo das flores foi passando e a flor influenciável estava deprimida porque ela não conseguia nada e sabia que estaria derrotada em breve, ao cair no chão. Estranhamente, para a flor influenciável, a flor orgulhosa também estava na mesma situação, mas não parava de repetir que era forte, era positiva e não cairia no chão. A terceira flor estava satisfeita com sua vida e se sentia realizada em  sua nova missão de adubar o solo.
Quase sem força a flor influenciável falou para flor satisfeita: “sua idiota, não vê que estamos a morrer a cada segundo. Vamos cair e .. que destino cruel!” A flor orgulhosa, sem força mas com petulância, continuou a crítica: “ela é fraca, por isto desistiu de lutar e se ilude com esta cara de felicidade”. A terceira flor embalada na gratidão, no desejo de servir e na sabedoria escutava aquilo e pedia para Deus ajudar a diminuir o sofrimento das duas outras flores.



Regis Mesquita

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Resiliência



Uma competência que vem sendo muito bem vista pelas empresas atualmente é a resiliência. De acordo com o diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos, Eduardo Carmello, a resiliência “é a capacidade do profissional de promover as transformações necessárias para alcançar o seu propósito”.
Essa capacidade se aplica também nos momentos adversos, ou seja, quando acontece algo desfavorável, o profissional constrói artifícios para enfrentar e suportar a situação. Na prática, o indivíduo que possui essa competência não se sente vítima da circunstância, mas tende a encará-la racionalmente.
Além disso, não olha para as situações desfavoráveis como perigos ou ameaças, mas enxerga nelas desafios e oportunidades. “É tudo uma questão de como ele percebe as situações. Ele não vai travar ou ficar na defensiva, o que ele vai fazer é desenvolver estratégias para enfrentá-la”, explica Carmello.

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domingo, 13 de janeiro de 2013

Lições 2.1 #3 - Sobre foco, resultado e perfeição



Não! Nunca deixe o medo do "fazer imperfeito" impedi-lo de realizar algo. Não o tome como desculpa para não começar. Prefira o nível médio, ao tédio sem remédio de se contentar com o nada. Acredite, em primeiro lugar, que pode fazer o melhor sempre melhor e não deixe que os obstáculos (especialmente aqueles do princípio) te desanimem. Entenda, definitivamente, que toda caminhada começa com o primeiro passo, depois, é só gerenciar o seu ritmo e fazer acontecer. Aliás, esse "acontecer" é um processo, então compreenda que as melhores jornadas não são feitas aos saltos. Cada passo, por menor que seja, já merece ser chamado de conquista e tem uma pitada do sabor da vitória. Não se desanime. Já dizia Platão: "vencer a si próprio é a maior das vitórias". E aí, vai se encarar?


Danielle Abade

domingo, 19 de agosto de 2012

Olhar no espelho da alma

(...)
- Você está bem? - perguntei. No momento em que disse isso, percebi a besteira que tinha falado. É claro que ela não estava bem.
- Eu não sabia - murmurou ela.
- O quê?
Seus olhos estavam da mesma cor que a névoa sobre a ilha das sereias.
- Como a tentação poderia ser poderosa.
Não queria admitir que tinha visto o que as sereias haviam prometido a ela. Eu me sentia um intruso. Mas imaginei que devesse isso a Annabeth.
- Eu vi o modo como você reconstruiu Manhattan - contei. - E Luke e seus pais.
Ela corou.
- Você viu aquilo?
- O que Luke lhe disse no Princesa Andrômeda, sobre refazer o mundo do zero... aquilo de fato impressionou você, não é?
Ela se enrolou no cobertor.
- Meu defeito mortal. Foi isso que as sereias me mostraram, Meu defeito mortal é o húbris.
Eu pisquei.
- Aquela coisa marrom que passam nos sanduíches vegetarianos?
Ela revirou os olhos.
- Não Cabeça de Alga. Aquilo é humus. Húbris é pior.
- O que poderia ser pior do que húmus.?
- Húbris quer dizer orgulho, insolência Percy. Achar que você pode fazer as coisas melhor do que qualquer um... inclusive os deuses.
- Você se sente assim?
Ela baixou os olhos.
- Nunca teve impressão de que... que o mundo realmente está errado? E se pudéssemos refazer tudo do começo? Guerras nunca mais. Ninguém sem teto. Nunca mais dever de casa no verão.
- Estou ouvindo.
- Quer dizer, o Ocidente representa muita as melhores coisas que a humanidade já fez... é por isso que a chama ainda arde. É por isso que o Olimpo ainda existe. Mas, às vezes, a gente só vê o que não presta, entende? E começa a pensar do mesmo jeito que Luke: "Se conseguir destruir tudo isso, posso fazer melhor." Nunca se sentiu assim? Como se você pudesse fazer um serviço melhor se fosse o dono do mundo?
- Humm... não. Eu governando o mundo seria uma espécie de pesadelo.
- Então você tem sorte. O húbris não é seu defeito morta.
- E o que é?
- Não sei, Percy, mas todo herói tem um. Se você não tem descobrir e aprender a controlá-lo... bem, não é à toa que o chamam de "mortal".
Pensei naquilo. E não fiquei lá muito animado. (...)
- E então valeu a pena? - perguntei a Annabeth. - Você se sente... mas sábia?
O olhar dela se perdeu na distância.
- Não tenho certeza. Mas precisamos salvar o acampamento. Se não pararmos Luke...
(...)

[Trecho do livro O Mar de Monstros, da série Percy Jackson e os Olimpianos, de Rick Riordan, paginas 206-207]

terça-feira, 12 de junho de 2012

Namore uma garota que lê

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.

Compre para ela outra xícara de café.

Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.

É que ela tem que arriscar, de alguma forma.

Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas  garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim.  E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até  porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que  pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe  monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.



Rosemary Urquico

Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico
Tradução e adaptação – Gabriela Ventura

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Namore um cara que lê


Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras.

Encontre um cara que lê. Não é difícil descobrir: ele é aquele que tem a fala mansa e os olhos inquietos. Ele é aquele que pede, toda vez que vocês saem para passear, para entrar rapidinho na livraria, só para olhar um pouco. Sabe aquele que às vezes fica calado porque sabe que as palavras são importantes demais para serem desperdiçadas? Esse é o que lê.

Ele é o cara que não tem medo de se sentar sozinho num café, num bar, num restaurante. Mas, se você olhar bem, ele não está sozinho: tem sempre um livro por perto, nem que seja só no pensamento. O rosto pode ser sério, mas ele não morde, não. Sente-se na mesa ao lado, estique o olho para enxergar a capa, sorria de leve. É bem fácil saber sobre o quê conversar.

Diga algo sobre o Nobel do Vargas Llosa. Fale sobre sobre as novas traduções que andam saindo por aí. Cuidado: certos best-sellers são assunto proibido. Peça uma dica. Pergunte o que ele está lendo –e tenha paciência para escutar, a resposta nunca é assim tão fácil.

Namore um cara que lê, ele vai entender um pouco melhor seu universo, porque já leu Simone, Clarice e –talvez não admita– sabe de memória uns trechos de Jane Austen. Seja você mesma, você mesmíssima, porque ele sabe que são as complicações, os poréns que fazem uma grande heroína. Um cara que lê enxerga em você todas as personagens de todos os romances.

Um cara que lê não tem pressa, sabe que as pessoas aprendem com os anos, que qualquer um dos grandes tem parágrafos ruins, que o Saramago começou já velho, que o Calvino melhorou a cada romance, que o Borges pode soar sem sentido e que os russos precisam de paciência.

Um namorado que lê gosta de muita coisa, mas, na dúvida, é fácil presenteá-lo: livro no aniversário, livro no Natal, livro na Páscoa. E livro no Dia das Crianças, por que não? Um cara que lê nunca abandonará uma pontinha de vontade de ser Mogli, o menino lobo.

E você também ganhará um ou outro livro de presente. No seu aniversário ou no Dia dos Namorados ou numa terça-feira qualquer. E já fique sabendo que o mais importante não é bem o livro, mas o que ele quis dizer quando escolheu justo esse. Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre.

Entenda que ele precisa de um tempo sozinho, mas não é porque quer fugir de você. Invariavelmente, ele vai voltar –com o coração aquecido– para o seu lado.

Demonstre seu amor em palavras, palavras escritas, falas pausadas, discursos inflamados. Ou em silêncios cheios de significados; nem todo silêncio é vazio.

Ele vai se dedicar a transformar sua vida numa história. Deixará post-its com trechos de Tagore no espelho, mandará parágrafos de Saint-Exupéry por SMS. Você poderá, se chegar de mansinho, ouví-lo lendo Neruda baixinho no quarto ao lado. Quem sabe ele recite alguma coisa, meio envergonhado, nos dias especiais. Um cara que lê vai contar aos seus filhos a História Sem Fim e esconder a mão na manga do pijama para imitar o Capitão Gancho.

Namore um cara que lê porque você merece. Merece um cara que coloque na sua vida aquela beleza singela dos grandes poemas. Se quiser uma companhia superficial, uma coisinha só para quebrar o galho por enquanto, então talvez ele não seja o melhor. Mas se quiser aquela parte do "e eles viveram felizes para sempre", namore um cara que lê.

Ou, melhor ainda, namore um cara que escreve. 

Bruno Palma, blog: Acepipe Escritos

Baseado no "Namore uma garota que lê", texto escrito pela Rosemary Urquico e  traduzido e adaptado para o português pela Gabriela Ventura

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cordialidade



A tese da cordialidade inata do povo brasileiro exposta pelo historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda foi mal entendida e criticada.
A ponto de seu autor precisar explicar que não chamara o brasileiro de essencialmente bom ao destacar traços da sua personalidade.
Ninguém melhor do que Sérgio Buarque de Holanda sabia da truculência e da crueldade presentes nas nossas vidas desde as primeiras caravelas.
E com o tempo a “cordialidade” apontada pelo historiador ganhou significados novos e menos nobres.
Hoje é sinônimo do deixa-pra-lá-ismo que domina a moral nacional, e que não deixa de ser uma forma de generosidade com o próximo.
Não somos tanto cordiais como desleixadamente coniventes.
O sentido original da tese do Sérgio Buarque de Holanda foi recuperado, há dias, pelo ministro do Supremo Eros Grau.
Eros atribui as anistias dadas, tanto a recente quanto as outras no nosso passado, à cordialidade inata do povo brasileiro.
Invocar a velha tese da cordialidade para justificar o perdão foi estranho.
Poucas vezes na nossa História a cordialidade brasileira foi tão dolorosamente desmentida como nos porões da última ditadura.
Grau e os outros que votaram contra a revisão da anistia votaram não pela cordialidade, mas pela sua deturpação.
Votaram para deixar pra lá, e pela conivência.

Luiz Fernando Veríssimo

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Viver Despenteada




Viver Despenteada



Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie,
por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…

Então, como sempre, cada vez que nos vejamos
eu vou estar com o cabelo bagunçado…
mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.

É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir

Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável,
toda arrumada por dentro e por fora,
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça,
coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria…

e talvez deveria seguir as instruções, mas
quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita
eu tenho que me sentir bonita…
¡A pessoa mais bonita que posso ser!

O único que realmente importa é que ao me olhar no espelho,
veja a mulher que devo ser.
Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:

Entregue-se, Coma coisas gostosas, Beije, Abrace,
dance, apaixone-se, relaxe, Viaje, pule,
durma tarde, acorde cedo, Corra,
Voe, Cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável,
Admire a paisagem, aproveite,

e acima de tudo, deixa a vida te despentear!!!!

O pior que pode passar é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo...




Autor desconhecido

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Recomeçar


Recomeçar


"Não importa onde você parou...
em que movimento da sua vida você cansou...
o que importa é que sempre é possível
e necessário "Recomeçar".
Recomeçar é dar um nova chance a si mesmo...
é renovar as esperanças na vida e o mais importante...
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado
Chorou muito? Foi limpeza da alma
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechastes a porta para os anjos.
Acreditar que tudo estava perdido? Era o ínicio da tua melhora.
Pois é... agora é hora de reiniciar... de pensar na luz...
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Recomeçar... hoje é um bom dia para começarmos novos desafios.
Onde você quer chegar? Ir alto...?
Então sonhe alto... queira o melhor do melhor... queira coisas boas para a vida...
pensando assim trazemos para nós aquilo que desejamos..
se pensarmos pequeno... coisas pequenas teremos...
já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente
lutarmos pelo melhor... o melhor vai se instalar na nossa vida
E é hoje o dia da faxina mental... vamos lá...
joga fora tudo que te prende ao passado...
ao mundinho de coisas tristes... fotos... viagens...
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados...
jogue tudo fora... mas principalmente... esvazie seu coração...
fique pronto para a vida... para um novo amor.
Lembre-se somos apaixonáveis... somos sempre capazes de amar muitas e
muitas vezes... afinal de contas....
Nós somos o "Amor"...
Porque somos do tamanho daquilo que vemos,
e não do tamanho da nossa altura."


Carlos Drumond de Andrade

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Há 760 dias

(texto escrito em 04 de outubro de 2006)


As bases de madeira estão úmidas das lagrimas que nunca chorei. Estão podres. E os muros começam a ruir... nunca pensei em chegar nesse ponto... tantas defesas, todo o teatro. Situações preparadas... que suporto de maneira míope, com a intenção de enganar os outros, mas não conseguindo enganar nem a mim mesmo...

O medo de tentar. Errar por medo de errar. Todo a ignorância de uma existência medíocre, hoje começa a me derrubar. E agora que começo a levantar (após tanto tombos) mais alto – e com um pouco mais de força – caio! Vejo o chão se aproximar e, antes de cair já tomei a minha decisão: Reerguer os MUROS mais alto e mais forte! Não importa os argumentos. Não importa as pessoas. Não importa nem a mim mesmo ou mesmo meu coração... Os argumentos de antes, já perderam a validade... serão de novo “reeditados”, não importa o quanto doa, não importa o numero de falácias que terei que sustentar, não importa mais nada...

Cansei de mim mesmo! Agora não tenho mais forças para me levantar. E por isso ergo esse novo muro. Sei o quanto isso pode afetar negativamente. Sei o quanto aqueles (poucos) que gostam de mim serão afetados... mas ainda assim nada importa...

Meus ombros cansados já não agüentam mais esse fardo carregado com meus erros... Cansei! Não vale a pena. Por que nunca venço? Por que nunca consigo aproveitar uma oportunidade? Por que deixo asa oportunidades passarem por mim sem nunca fazer nada? Por que nunca sou feliz?

Se a felicidade não me acompanha, chegou o momento de parar a busca. Se ela sempre se afasta quando tento me aproximar, minha muralha não irá haver portas ou janelas por onde ela possa entrar.

Cansei de procurar o fogo e ser obrigado a me contentar com faíscas. Eperança, felicidade, amor são tudo sonhos de uma outra vida que espero ter ficado para trás... já que não tenho coragem de deixar para trás algo maior...

O futuro não existe, pelo para mim.

O presente acabou, e isso agora vejo com clareza.

E o passado são magoas e sofrimentos que me acompanham até hoje, quando pela ùltima vez tentei me levantar.

Não irei rastejar, mas também não sairei do lugar. Chega de tombos. Está na hora de transformar a dor que tanto me atrapalhou em companheira, fria e leal. Nada importa mais...

“Estou morrendo e ninguém vê”. Quanto tempo escrevi isso e ninguém entendeu... agora talvez já seja tarde – estou morto! E tudo isso se tornara apenas mais um espectro – que mesmo não conseguindo exorcizá-lo será uma das bases desse meu novo muro.

Não quero entender. Tão pouco quero viver. Mas como não tenho escolha, sub-existirei. Sem sonhos. Apenas mais um nesse mundo que nunca me deu nada (aqui peço desculpas há aqueles que me amam, amigos, se è que existem mesmo).

Uma vez eu disse que era um vírus a contaminar aqueles que amo, mas hoje vejo que esse vírus, a única coisa que fez, foi me corroer e, hoje resta apenas este caco de gente.

Não quero que leiam isso. Mas para aqueles que lerem: não tentem entender o que nem eu mesmo consegui...

Ah, posso escrever muito mais, não sei se continuo, se paro por aqui, para variar tanto faz....

Amanhã irei fazer aquilo que já deveria ter feito há semanas – mesmo sabendo que já é tarde para isso, e que isso é um dos vários motivos para essas linhas. Sei que não posso conviver com isso ou com a lembrança de não ter feito... e talvez as conseqüências disso sejam desastrosas... mas nada pode ser pior do ter um coração no estado do meu.... então o que acontecer depois de que já estiver feito amanhã, não será nada pior do que já é. NOTA: não tenho esperança de que de certo.

Por que de tudo isso? Uma pedra deve ser mais feliz que eu!... Para que nascer? Para que viver? Não há sentido! Não consigo mais...

Mas desta vez, nesse novo muro e volta de mim e de meu coração, nada irá me atingir... e farei por onde para que isso ocorra. Se já não consigo chorar, tá na hora de eliminar qualquer emoção desse tipo.

Coração de pedra! Coração de gelo! Sem emoções! Nunca compreendi tão bem essas questões ate agora.

Já não consigo ter pena de mim. Essas indecisões, essas fraquezas, tudo isso tem que acabar! Meus demônios que sempre me atormentam, já passou da hora de se tornarem meus aliados. Tudo isso por amor? Felicidade? Isso tudo para mim agora são apenas ilusões de alguém que não vive mais – eu!

E se um dia ela (e quase ninguém vai entender) ler isso; não quero que se sinta culpada. Afinal, ela só foi o ultimo rastiro da pólvora para a bomba que se formara em mim, e há muito tempo. (antes mesmo dela aparecer).

Chega de decepções e de derrotas. Isso não é uma carta de suicídio e nem um discurso de mudança de positivista em minha vida; mas é tudo aquilo que fui , sou e serei – apenas: nada! (04/10/06 – 1:30 da madrugada)

P.S.1: O que esta escrito acima só faz sentido para mim. Aos olhos do mundo nada disso faz sentido... como dizia aquela canção: “nada disso é tudo e tudo isso é fundamental”...(04/10/06 – 09:30)P.S.2: Quero deixar bem claro algo: ela não é culpada de nada, pois não existe a possibilidade da pessoa que se ama nos fazer mal. (04/10/06 – 15:25)


(post completo no Blog Variação do Mesmo Tema)
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